Nossa Vida Nossa Arte



Nossas vidas, quer o saibamos ou não e quer o saudemos ou lamentamos, são obras de arte. Para viver como exige a arte da vida, devemos, tal como qualquer outro tipo de artista, estabelecer desafios que são (pelo menos no momento em que estabelecidos) difíceis de confrontar diretamente; devemos escolher alvos que estão (ao menos no momento da escolha) muito além de nosso alcance, e padrões de excelência que, de modo perturbador, parecem permanecer teimosamente muito acima de nossa capacidade (pelo menos a já atingida) de harmonizar com o que quer que estejamos ou possamos estar fazendo. Precisamos tentar o impossível. E, sem o apoio de um prognóstico favorável fidedigno (que dirá certeza), só podemos esperar que, com longo e penoso esforço, sejamos capazes de algum dia alcançar esses padrões e atingir esses alvos, e assim mostrar que estamos à altura do desafio. -- Zygmunt Bauman, A Arte da Vida.

Pura Modelagem Matemática

O movimento dos peixes abaixo é fruto de pura modelagem matemática. Parece bastante realista não? Particularmente fico impressionado pelo fato de uma dinâmica aparentemente tão aleatória poder ser modelada e reproduzida por equações matemáticas. E mais, essa dinâmica complexa é explicada por regras simples aplicadas a cada indivíduo. Não, não é necessário uma regra central para o grupo inteiro, regras aplicadas apenas as partes individuais explicam o fenômeno. Lindo, não? Na teoria de sistemas complexos o fenômeno é chamado de emergência [o texto em inglês é mais completo].

Vou deixar você se divertindo com os peixinhos. Caso queira ler mais sobre como modelar sistemas como esses, incluindo: vôo de morcergos, aves, movimento de formigas, abelhas, e mesmo do tráfego de automóveis, clique aqui.


Clique para alimentar os peixes:



O Evangelho na Matrix

O Programador diz:

-- Todo programa que sacanear será deletado.

Os programas sacaneiam. O Programador vira programa sem passar pela compilação. No mundo virtual sofre o processo de exclusão para que todo programa que acredita nele não seja deletado, mas tenha a licença eterna.

Para Ler Antes da Velhice

Mustafá Mond parou, pousou sobre a mesa o primeiro livro e, tomando o outro, virou-lhe as páginas.

-- Veja isto, por exemplo -- disse, e com voz profunda começou a ler novamente:

-- "Um homem envelhece; percebe em si mesmo aquela sensação radical de fraqueza, de atonia, de mal-estar que acompanha o avançar da idade; e, sentindo-se assim, julga estar apenas doente , aquieta seus temores com a ideia de que esse estado penoso é devido a alguma causa particular, da qual espera curar-se como de uma moléstia. Vãs Imaginações! A moléstia é a velhice; e trata-se de uma doença horrível. Dizem que é o medo da morte, e do que vem depois da morte, que leva os homens a se voltarem para a religião à medida que os anos se acumulam. Todavia, a experiência pessoal me trouxe a convicção de que , completamente à parte de tais temores e imaginações, o sentimento religioso tende a desenvolver-se quando envelhecemos; tende a desenvolver-se porque, à medida que as paixões se acalmam, que fantasia e a sensibilidade vão sendo menos excitadas e menos excitáveis, a razão é menos perturbada em seu exercício, menos obscurecida pelas imagens, desejos e distrações que a absorviam; então, Deus emerge como se tivesse saído de trás de uma nuvem; nossa alma vê, sente a fonte de toda luz, volta-se natural e inevitavelmente para ela; porque, tendo começado a esvair-se de dentro de nós tudo aquilo que dava ao mundo das sensações sua vida e seu encanto, não sendo mais a existência material sustentada por impressões externas e internas, sentimos a necessidade de nos apoiarmos em algo que permaneça, que nunca nos traia -- uma realidade, uma verdade, absoluta e eterna. Sim, voltamo-nos inevitavelmente pra Deus; pois esse sentimento religioso tão puro, tão delicioso para a alma que o experimenta, que compensa todas as nossas outras perdas".

Aldous Huxley, Admirável Mundo Novo.

O Que Os Homens Querem

É comum mulheres discutirem sobre o que os homens querem. Uma amiga colocou essa pergunta de um jeito marcante: "Será que pra casar eu preciso ser burra, dependente, fútil e gostosa?" Comecei a respondê-la, o que resultou no texto abaixo. Consequentemente o estilo desse texto é mais solto. Espero que seja útil.

Vamos lá. Pra ser prático vou falar do tipo de homem que imagino interessar a vocês, basicamente: alguém de beleza proporcional ou superior (ninguém reclama ser for superior né?), não necessariamente um 'santo' mas que tem caráter, bem-humorado e razoavelmente inteligente, apaixonado pela profissão e se for bem-sucedido ainda melhor, e que tenha ambições de crescer. Ah, ia esquecendo mais uma: como vocês não têm vocação para o convento da Penha imagino que queiram o sujeito com pegada mas ao mesmo tempo romântico e atencioso. Eu estou rindo agora, vocês abrem mão de algo do que mencionei?

Bem, assumindo que o que escrevi acima está no caminho certo, tenho a dizer que os homens interessantes e não interessantes partilham de algo: são todos bastante atraídos pela beleza feminina (sim, é eufemismo pra dizer que apreciam uma mulher 'gostosa'). Já volto nesse ponto, antes vou falar das estatísticas, afinal era pergunta inicial ("é só impressão nossa que a maioria dos homens so se atrem por mulheres desse tipo?"). Eu acredito todo homem desse planeta (ok, quase todos) tem potencial para serem interessantes no sentido que descrevi acima, acontece que alguns não acreditam nisso ou não tem acesso a educação necessária para tal. Por ora, vamos dividir os homens em duas classes:

(X) homens que procuram um relacionamento estável e;
(Y) homens que procuram por uma relação causal, de curta duração.

Eu diria que uns 90% da classe Y querem uma mulher "burra, dependente, fútil e gostosa", com ênfase no último adjetivo. Mas como vocês falaram em casar, devemos na verdade falar dos homens classe X. Como disse inicialmente os homens são bastante atraídos pela beleza feminina, e como é sabido, desejos fortes podem suprimir o pensamento analítico. Talvez por isso que mulheres sem grandes atributos além da beleza consigam seduzir e casar com 'bons partidos'. Não é o amor, é a beleza que cega.

Penso que exista uma fração da classe X que são menos vulneráveis a beleza pura e simples. Qual é essa fração? Talvez 3 ou 4 em 10. Esses homens são com maior probabilidade os que se alinham ao perfil de "homem interessante". Certo, e o que esses homens querem? Mulheres interessantes. Quase todas as características dos "homens interessantes" se aplicam também as "mulheres interessantes", mas temos algumas adaptações.

Mulher interessante: alguém de beleza proporcional (não raramente homens tendem a querer mais do que podem oferecer) mas principalmente uma mulher que se cuide, não necessariamente um 'santa' mas que tenha caráter (alguns homens erroneamente associam mulheres 'certinhas' à mulheres sem desejo sexual, encontre um jeito elegante de explicitar não-relação dessas coisas), bem-humorada e razoavelmente inteligente (alguns homens têm medo de que suas parceiras sejam mais inteligentes que ele, descarte-o se for o caso, o cara vai te sufocar a vida toda), apaixonada pela profissão mas não necessariamente bem sucedidas (se o sujeito aparenta não saber lidar bem com a ideia de você ganhar mais que ele descarte-o também), e que tenha ambições de crescer nem que seja como pessoa. E sim, nós homens gostamos de mulheres com pegada, e também atenciosa. Acho que é inerente que o homem queira que ao menos em parte a mulher substitua a sua mãe no cuidado com ele.

Eu particularmente concordo muito com a Sherry Argov:

"Para que ele pense no 'para sempre', é necessário que haja algo dentro de você que ele respeite. Tipo uma perspicácia aguçada… e uma cabeça pensante."


Alias, recomendo fortemente que vocês leiam a introdução do livro dela aqui.


Espero ter contribuído para a discussão.

Por que o Facebook Vicia?

"Por que apertamos incessantemente o botão do elevador quando estamos com pressa? Por que algumas pessoas apostam cada vez mais quando estão perdendo? Será que todos os internados em instituições psiquiátricas são realmente loucos? Por que ninguém toma uma atitude para ajudar aquela pessoa que está sendo assaltada em plena luz do dia? E como pode um homem fazer a outro o que se fez durante o holocausto?"

As perguntas da contracapa de Mente e Cérebro: dez experiências impressionantes sobre o comportamento humano me instigaram a curiosidade. A autora, a psicóloga Lauren Slater (Stanford University), floreia bastante o texto, o que às vezes me causa agonia porque nem sempre fazem sentido as expressões que ela usa. Mas claro, pode ser culpa do tradutor ou mesmo um problema de sensibilidade de minha parte. Mas as experiências são muito interessantes.

Vou fazer um resumo de uma dessas experiências, que me fez refletir bastante.

Porque o Facebook Vicia - B. Skinner. As experiências de Skinner mostram ( indicam, se você preferir) o poder do reforço positivo e negativo, sobre o comportamento de ratos, que extrapolam para humanos. Outro pesquisador, Ivan Pavlov, havia mostrado que se podia condicionar as glândulas salivares de um cão a vazar ao som de uma campainha. No início, quando a campainha tocava os cães recebiam comida, e só com o cheiro já salivavam. Assim, depois de certo tempo, bastava tocar a campainha e todos já estavam salivando. Veja bem, primeiro o estímulo campainha e depois a ação babar. Skinner deu mais um passo, mostrou ser possível condicionar o comportamento antes do estímulo. Por exemplo, podia-se condicionar ratos para que recebessem alimento após o pressionar de uma alavanca. Primeiro a ação pressionar alavanca, depois o estímulo comida. Quanto tempo leva para cessar um comportamento condicionado após a suspensão do estímulo? Isso depende do estímulo, se ele é regular ou irregular. E, o que é mais impressionante, Skinner descobriu que:



`"um comportamento irregularmente recompensado é o mais difícil de ser erradicado."


Isso possivelmente responde a primeira e segunda pergunta da contracapa do livro. Ora o elevador vêm de imediato ao apertamos o botão, ora não. Ora ganhamos em jogos, ora não. Em geral tudo bem aleatório. Penso que o raciocínio se aplique ao Facebook e o Twitter também. Ora curtem nossas 'ligações' e 'estados', ora não. Ora retuitam suas postagens no microblog, ora não. Essas coisas mexem com nosso ego. Quem não gosta de ver seu post ser bastante comentado e elogiado? Eis o grande reforço positivo. É muito curioso que a autora use a constatação de Skinner para explicar porque as mulheres 'amam demais' aqueles homens que ora são legais, ora não estão nem aí. Minha intuição me diz que ela está correta em sua extrapolação.

É importante salientar que de acordo com as experiências de Skinner o reforço positivo é mais eficiente que o reforço negativo no condicionamento. Conclusão que tem fortes implicações na educação.

Skinner queria usar os resultados de sua pesquisa para digamos, condicionar para melhor a população. Certamente outras pessoas de poder - e de caráter duvidoso - encontraram outras aplicações.

Lição: Aprenda a usar isso a seu favor para combater melhor seus maus hábitos.



Resolução

"Lembrai-vos de que nunca alcançareis mais elevada norma que a que vos propuserdes. Fixai pois alto vosso alvo e passo a passo, embora com esforços dolorosos, abnegação e sacrifício, subi até ao topo a escada do progresso. Que nada vos impeça. O destino não teceu tão firmemente suas malhas ao redor de qualquer homem, que precisasse permanecer desamparado e na incerteza. Circunstâncias adversas devem criar a firme determinação de vencê-las. A transposição de um obstáculo dará maior capacidade e ânimo para avançar. Insisti com resolução na direção correta, e então as circunstâncias serão vossas auxiliares, não empecilhos." Ellen White, Mensagens aos Jovens, pg. 99 e 100.

 
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